Apple está mais próxima de lançar uma carteira de criptomoedas própria

Com novo CryptoKit, Apple permitirá que desenvolvedores criem facilmente assinaturas digitais que podem ser armazenadas e usadas como pagamento

Apple pode estar se preparando para permitir que os proprietários de iPhone transformem seus dispositivos em carteiras digitais que lhes permitam armazenar e usar bitcoins e outras criptomoedas para comprar desde móveis a uma xícara de café.

Ao contrário de outros anúncios da Worldwide Developers Conference (WWDC), na semana passada, o novo CryptoKit para iOS 13, da Apple, recebeu pouca atenção. Mas o kit permitirá que os desenvolvedores criem facilmente hashespara assinaturas digitais e chaves públicas e privadas que podem ser armazenadas e gerenciadas pelo Secure Enclave da Apple. Essas chaves, que podem representar criptomoedas, podem ser trocadas pelos proprietários do iPhone como forma de pagamento por meio de um aplicativo.

Até o fechamento desta reportagem, a Apple não retornou a um pedido de comentários sobre o CryptoKit e se é realmente parte de um plano para introduzir uma carteira de criptomoedas.

Se a Apple está se preparando para percorrer o caminho das criptomoedas, a companhia estaria seguindo passos semelhantes da HTC e Samsung, que anunciaram sua intenção de criar carteiras de armazenamento nativas em seus smartphones. A HTC anunciou no ano passado que seu smartphone Exodus 1 seria capaz de armazenar nativamente bitcoin ou Ether e a Samsung está fazendo um grande esforço para levar o mesmo recurso em seu telefone Galaxy 10, que deve chegar em fevereiro.

Um novo estudo da Juniper Research descobriu que o número de pessoas que usam carteiras digitais para todos os tipos de moedas deverá aumentar de 2,3 bilhões este ano para quase 4 bilhões, ou 50% da população mundial, até 2024. Isso, por sua vez, aumentará os valores de transação em mais de 80%, para mais de US$ 9 trilhões por ano. O estudo argumentou que os aumentos seriam impulsionados por um maior volume de transações realizadas por meio de credenciais armazenadas.

O relatório destacou o desafio colocado a carteiras sem contato baseadas em NFC, como o Apple Pay e o Samsung Pay, pelo surgimento de carteiras baseadas em QR Codes, já usados ​​por comerciantes para acessar carteiras de criptomoeda para pagamento.

Neste ponto, o CryptoKit da Apple não inclui todos os algoritmos de criptografia, como o algoritmo de assinatura secp256k1, necessários para concluir as transações do Bitcoin, segundo David Huseby, do Hyperledger, o projeto blockchain de código aberto sob a Fundação Linux.

“No entanto, a interface abstrata que eles criaram facilita a adição de outros algoritmos no futuro”, disse Huseby por e-mail. “É a mesma estratégia que o Hyperledger Ursa tomou para tornar plugávevl os algoritmos criptográficos.”

Hyperledger Ursa é uma biblioteca criptográfica, um repositório que os desenvolvedores podem desenhar para criar facilmente uma camada de criptografia – chaves públicas e privadas – para aumentar a segurança dos aplicativos.

Da mesma forma, de acordo com a Apple, o CryptoKit dará aos desenvolvedores de aplicativos para iOS uma nova estrutura para criar hashes seguros para operações como autenticação de mensagens e chaves criptográficas seguras.

Viktor Radchenko, fundador da Trust Wallet, uma carteira de criptografia que suporta o armazenamento de tokens baseados no Ethereum, escreveu em sua conta no Twitter que o CryptoKit significa que os usuários estão a apenas alguns passos de transformar seus iPhones em uma carteira de hardware.

Kyle Ellicott, Chief Labs Officer da empresa de pesquisa ReadWrite Lab, concordou com Radchenko: CryptoKit significa que a Apple está dando aos desenvolvedores a capacidade de construir aplicativos baseados em blockchain ou criptografia – e coloca a Apple em uma posição única quando se trata de hardware.

“Eles poderão fornecer um armazenamento frio, ou uma carteira de criptografia mais segura do que qualquer outra coisa no mercado, do ponto de vista do celular”, disse Ellicott, referindo-se às capacidades de biometria existentes em iPhones e iPads. “Veja o que mais eles falaram na WWDC. Eles anunciaram o cartão de pagamentos da Goldman Sachs e anunciaram grandes atualizações para o Apple Wallet.”

Parceiros de negócios da Apple, incluindo a Starbucks e a Whole Foods Market e outros varejistas, anunciaram programas para aceitar bitcoin e outras moedas criptografadas para pagamentos. Um cliente apenas envia um QR Code em seu smartphone na frente de um scanner de registro e o pagamento é transferido para o varejista. O QR Code, ativado por um aplicativo, representa a moeda digital na carteira de criptomoedas de um cliente.

“As pessoas precisam armazenar [criptocorrência] e precisam sentir um nível de conforto com isso. Agora, com a Apple Wallet melhorando, e esses parceiros usando a tecnologia…, o próximo passo é integrar os dois”, disse Ellicott. “Como consumidores, sabemos como usar a carteira; nos sentimos seguros porque os parceiros também estão usando”.

A Apple é uma empresa notoriamente discreta quando se trata de falar sobre futuros produtos e serviços, mas registrou patentes relacionadas ao blockchain; Até o momento, a maioria das que se tornaram públicas se relaciona ao fornecimento ético de materiais para construir dispositivos, como o iPhone, segundo Ellicott.

Em fevereiro, a Apple anunciou que estava ajudando a elaborar regras em blockchain para a chamada Responsible Minerals Initiative (RMI, na tradução livre: Iniciativa Responsável de Minerais) da Aliança de Negócios Responsáveis. A Apple presidiu a Alliance e atuou no comitê de direção da RMI em 2018.

Ellicott especulou que o Cryptokit pode estar escondendo outras patentes de blockchain da Apple que, quando implementadas, virão à luz.

Fonte It Midia.

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