Inovação, tecnologia e design são apostas da indústria de revestimentos

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Setor em SC investe em produtos com maior valor agregado.Mesmo com mercado retraído, empresas projetam crescimento em 2016.

A vocação da indústria de revestimentos cerâmicos de Santa Catarina passa por transformações diante do desaquecimento do mercado interno nacional e cada vez mais apostas em produtos de maior valor agregado. Para conseguir um lugar de destaque nas lojas especializadas e fortalecer a marca no mercado internacional, as empresas investem em inovação, tecnologia e design.

Com 56 anos no mercado, a Eliane Revestimentos conta com as exportações neste segundo semestre para fechar o ano. “Não esperava que fosse durar tanto tempo essa crise”, diz o diretor comercial e marketing Rogério Longoni, de 55 anos. Além disso, aposta em inovações voltadas para a nanotecnologia japonesa e o varejo de alto padrão.

“A exportação e a inovação estão no DNA da empresa. Fornecemos produtos para os cinco continentes desde a década de 80. A Eliane está na lista das principais exportadoras do país e é reconhecida com prêmios que destacam a qualidade tecnológica e design”, afirma.

Para a empresa, vender para os mercados externos é uma questão de estratégia, não somente captação de oportunidades, como uma parcela de mercado importante no faturamento anual, que corresponde a cerca de 15%.

Com sede em Cocal do Sul, onde concentra três fábricas, conta ainda com unidades em Criciúma, que é especializada em porcelanato, e outra no nordeste, em Camaçari (BA). Por ano, as fábricas são responsáveis pela produção de 36 milhões de metros quadrados de revestimentos. A empresa possui mais de 15 mil pontos de vendas e exporta seus produtos para os mercados internacionais de 80 países, entre os centros de distribuição estão Dallas, nos EUA.

Novos sistemas

O executivo destaca como exemplo de crescimento e incorporação das capacidades tecnológicas do produto foi o contrato feito recentemente com uma grande rede americana, para renovar as lojas dos Estados Unidos usando o produto da casa de nanotecnologia japonesa. O Cleantec é um sistema que com menor custo oferece características auto-limpante, antibacteriano e antiodor.

Aplicada na superfície dos revestimentos permite a purificação do ar, através de um processo semelhante ao da fotossíntese. O produto utiliza óxidos de metais nobres, que reagem quimicamente na presença de umidade e luz.

Elasticidade

Segundo Longoni, a crise gerou uma demanda reprimida, que vem gerando uma recuperação lenta nas vendas. “Os consumidores que ficaram com medo e deixaram de fazer algum investimento estão voltando a apostar novamente”, disse. Em 2015, o faturamento total foi de R$ 905 milhões. A expectativa para fechar 2016 é de crescimento de 2%.

A empresa investe no desenvolvimento de marcas para o público de alto padrão e já conquistou premiações com o lançamentos de pisos que fazem uma releitura da madeira tradicional queimada e outro produto que apresenta geometrias sofisticadas e jovial que propõem um modo divertido de decorar, possibilitando composições diferenciadas.

“Temos uma elasticidade de clientes, pois conseguimos agradar tanto a classe de luxo até a classe C. Também praticamos um preço justo com nossos produtos e isso é fundamental para conseguir uma vantagem competitiva e conseguir passar pela crise sempre de olho nas despesas e na transparência”, explica.

A primeira empresa a produzir o porcelanato no Brasil tem o modelo de governança corporativa. Tanto a presidência, quanto os conselhos administrativos da Eliane são compostos por membros da terceira geração familiar. Longoni é formado em direito e está há 15 anos  responsável pelo mercado interno e externo da corporação.

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Valorização de ambientes

A Cecrisa Revestimentos Cerâmicos, fundada em 1966 iniciou a linha de produção na década de 1970, em Criciúma, no sul do Estado. Passou por várias mudanças no setor fabril que vão desde fechamento de fábricas, modernização e ampliação de setores com maior valor agregado, até a aquisição da maior parte da empresa pela gestora Vinci Partners.
Além da unidade sede, onde fica concentrada a produção de parede e porcelanato, a empresa tem outra unidade em Santa Luzia (MG), que produz porcelanato de uso comercial.

Segundo o presidente da Cecrisa, José Luis Pano a atuação da empresa está em comercializar revestimentos cerâmicos nos segmentos de médio e alto padrão. “Nosso objetivo é proporcionar experiências únicas a nossos clientes, inspirando a todos os que formam parte do processo de valorização de ambientes”, afirma.

Os investimentos tiveram foco em aumento da produtividade, o que possibilitou a redução de mão de obra, na melhora do mix de produção, que refletiu tanto na questão de sustentabilidade da empresa quanto para enfrentar o mercado com queda no consumo interno. “Com as inovações da tecnologia, qualidade e opções diferenciadas conseguimos alcançar eficiência para conquistar o mercado externo e esperamos crescer 50% até o final do ano”, diz Pano.

Os investimentos feitos pela Cecrisa, que integra a marca Cerâmica Portinari, resultaram em peças com alta definição de imagem e qualidade comparada à de fotografias, impressão em peças com relevo, impressão digital e aumento do tamanho dos revestimentos.

Pano explica que as coleções são desenvolvidas com base em pesquisas de tendências do mercado, com o design, a autenticidade e o valor agregado proporcionando sofisticação a qualquer ambiente. “Procuramos nos integrar com os formadores de opinião de diferentes áreas, acompanhamos o mercado europeu e também estamos presente em feiras nacionais e internacionais para inspirar as novas coleções, além de chamar a atenção dos arquitetos e clientes”.

Para a empresa, vender para os mercados externos é uma questão de estratégia, não somente captação de oportunidades, como uma parcela de mercado importante no faturamento anual, que corresponde a cerca de 15%.

O resultado é o portfólio mais completo do mercado de revestimentos cerâmicos, com soluções para projetos que ganham reconhecimento em premiações e exportados para 50 países.

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Modernidade

A Ceusa, fabricante de revestimentos cerâmicos de Urussanga, no Sul do Estado, fundada em 1953, trouxe para o mercado nacional inovações como a tendência italiana do porcelanato em formato hexagonal voltado para um público com preferências para linhas mais conceituais e das cerâmicas semitransparentes.

Com 330 funcionários, capacidade produtiva de 480 mil metros quadrados por mês, a empresa possui duas unidades de produção, sendo que uma delas é considerada uma das fábricas mais modernas do Brasil.

No período de 2009 a 2015, a Ceusa obteve crescimento de 120% na receita sem aumento de produção ao agregar valor aos produtos com novas tecnologias e inserção de novas tipologias.

Em 1996, a empresa lançou o primeiro listelo com formato universal. Já em 2002, os trabalhos com junta seca no assentamento trouxe uma sensação de painel único. A revolução na forma de decoração da superfície cerâmica ocorreu em 2010, quando a empresa se concentrou em opções para decoração área de decoração e de alto padrão.

“Conseguimos várias patentes de produtos, como assentamento de placas cerâmicas à seco, dispensando o uso de rejunte, telhas produzidos com a utilização de sobras industriais de porcelanato e decoradas com impressão digital, e desenhos exclusivos, como madeira, aplicação de duas imagens em uma mesma placa cerâmica ou painel cerâmico, proporcionado efeito de holografia”, destaca o diretor presidente Gilmar Menegon, de 52 anos.

Preocupada com o reaproveitamento de matéria-prima, a Ceusa desenvolveu cortes de produtos desclassificados por defeitos no processo e transformando em produtos cortados de forma hexagonal. “É uma tendência de design internacional, criando assim um novo produto de maior valor agregado”, afirma.

Menegon explica que o grande diferencial de Santa Catarina está na qualidade da mão-de-obra. “A Ceusa tem em seu corpo industrial, 100% dos operadores industriais com formação de segundo grau completo e 33% com curso técnico ou curso superior. Por se tratar de uma empresa que trabalha com inovação, a qualidade de seus profissionais é fundamental neste processo”.

Além disso, outros diferenciais apontados pelo executivo são as diversidades da produção e dos segmentos da economia, facilitando na aquisição dos insumos, reduzindo o custo de transporte dos materiais.

A prospecção para ano de 2017 é de crescimento, mantendo as exportações para mais de 40 países. A empresa não informou o faturamento. De acordo com o presidente, o que possibilita essa expectativa é a apresentação de produtos e serviços diferenciados que são menos suscetíveis à crise econômica.

Fonte: http://goo.gl/5kdHXQ

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